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Perpetração
(a uma psicóloga que eu conheci) Às vezes, sinto necessidade de dizer. Faltam as palavras, então digo o não dizer. Este é então um poema vazio, um buraco às avessas - disse-me uma psicóloga bissexta. Mas ela se referia à dor, essa que ainda sinto, devido às perdas irreparáveis. É verdade que não há diferença entre a dor e a poesia, quando o poema sangra indefeso. Poucas qualidades permanecem... Parecem forçadas, medidas, sonegadas... Parecem sobretudo efêmeras. Passa o tempo, contudo. Para onde vai esse deus maldito que passa sem passar a minha dor? Segue certamente em outra casa, onde um outro usufrui com violência de todos os sonhos que perdi sem rumo. Não há mais leveza nesta vida, nem palavras que extingam a dureza com que tudo segue, indiferente. Será que basta de viver? Confesso que não sei. Talvez não haja mais vida o bastante... (17/12/2004)
19/12/2004 Publicada por Signates
(a uma psicóloga que eu conheci) Às vezes, sinto necessidade de dizer. Faltam as palavras, então digo o não dizer. Este é então um poema vazio, um buraco às avessas - disse-me uma psicóloga bissexta. Mas ela se referia à dor, essa que ainda sinto, devido às perdas irreparáveis. É verdade que não há diferença entre a dor e a poesia, quando o poema sangra indefeso. Poucas qualidades permanecem... Parecem forçadas, medidas, sonegadas... Parecem sobretudo efêmeras. Passa o tempo, contudo. Para onde vai esse deus maldito que passa sem passar a minha dor? Segue certamente em outra casa, onde um outro usufrui com violência de todos os sonhos que perdi sem rumo. Não há mais leveza nesta vida, nem palavras que extingam a dureza com que tudo segue, indiferente. Será que basta de viver? Confesso que não sei. Talvez não haja mais vida o bastante... (17/12/2004)
19/12/2004 Publicada por Signates
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